Queremos Paz!

por Dra. Sabrina Campos – Advogada e árbitra

     A pandemia do COVID-19 fez muitos refletirem sobre o mundo ao
redor, olharem para o próximo, avaliarem a si mesmos. Alguns desistiram, os
suicídios aumentaram. Outros resistiram, ainda que outros números também
crescessem, como mortes pela doença pandêmica, depressão, violência
doméstica e familiar, e, aqueles que mais revelam a crueldade humana.
Queremos paz. Teremos paz?

    Nestes tempos de dúvida, em que tudo se questiona e se desconfia,
em nosso sentimento de autopreservação, também se criou a oportunidade para
alastrar ainda mais o caos e nos obrigar a enxergar barbáries que tememos
jamais sejam contidas. Como o trabalho escravo em todo o mundo, mais atual
do que nunca, cujo “objeto” se encontra de todas as raças, etnias, credos,
gêneros. Negociados às vezes pela própria família, outras sequestrados, e até
entregues aos seus malfeitores por rendição à própria sorte, mantidos por
grandes empresas, incentivado pela pobreza de algumas regiões, originado de
conflitos étnicos.

     São vários os caminhos do tráfico humano, acompanhado do tráfico
sexual e a exploração de mulheres e crianças, que facilita o tráfico de órgãos,
que fomenta o tráfico de armas ilegais para conflitos internos. Queremos paz?
Pois não se combate nenhum deles sem a guerra contra qualquer um deles.


     O tráfico de armas ilegais é ainda melhor alimentado pelo tráfico de
drogas, das ilegais até as legais não prescritas. E grupos de guerrilha têm
crescido e tomado ainda mais espaço de poder nas localidades, oprimindo a
sociedade civil, promovendo atos de terror como estupro coletivo, torturas
diversas de desafetos e desobedientes, assassinato em larga escala. Teremos
paz? Há chance de paz com quem usa armamento capaz de abater avião,
explodir diversas casas ao mesmo tempo, queima pessoas vivas na frente de
seus pais idosos ou de seus filhos menores, pelo prazer, digo, poder, de cometer
crimes impunimente? Não se combate tráfico sem guerra. Queremos paz?

      Que paz teremos ao ignorar os refugiados que transitam na nossa
própria terra se não aprendermos com a história deles? Que paz terão aqueles

que fogem do seu próprio lar porque lhe tiraram tudo? Qual nosso papel nisto?
O que afeta um, abala um mundo inteiro.

    Queremos paz. Podemos sim acolher as vítimas, respeitar a
experiência dos sobreviventes, aprender de fato para sair da caverna de Platão.
Sobretudo, não podemos permanecer apáticos e calados diante de nosso
próprio massacre. Faça a sua voz ser ouvida!

 

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